21 julho 2011

TENIR MA MAIN - CAPÍTULO 24

Vivas? Despois da Comic-Con? AiJesus que venha BD!!!!! Enquanto isso...que tal descobrirmos o que aconteceu com  a nossa FIC? Ótima leitura!
Classificação: Maiores de 17 anos
Autora: Lore Volturi
Gênero: Romance/Drama 
Aviso: Sexo/Lemons 



Capítulo 24
Kristen POV
Londres, 15 de dezembro de 2009 – 17h40min

Eu podia chorar. Eu podia gritar. Eu podia tentar chamar a polícia.
Eu podia ser ingênua e acreditar que qualquer uma das alternativas que viessem na minha cabeça, fosse me tirar da merda que estava prestes a acontecer.
Mas era o Peter, Peter Facinelli, sentado na sala da minha casa em Londres.
Ele tinha entrado na casa da minha melhor amiga, com a ridícula desculpa de que estava de passagem pela cidade.
Por mais que o medo varresse meu corpo nesse momento, sentada na sala ao lado da Ashley, tudo que eu conseguia pensar era que ela não era o Robert.
Preciso tirar o Peter daqui.
A Ashley estava nervosa, suas mãos tremiam muito. Alec estava na porta da cozinha e a arma dentro de um colete, bem amostra. 
Meu Deus, quanto tempo eles estavam aqui com ela?
Não tive tempo pra pensar muito nisso. Ela serviu um pouco mais de chá para o Peter, ele sorria com aquela falsa simpatia, tão calmo. Uma tranquilidade que me assustava mesmo depois de tanto tempo longe. 
Nada tinha mudado, nenhum fio de cabelo branco, nenhuma ruga, nada. Talvez  não fosse tanto tempo quanto parecia. Eu ainda era a mesma criança assustada perto do monstro que vive embaixo da cama.
Ele tinha até o mesmo perfume, que enchia o ambiente.
Minha análise foi interrompida pelo som da voz dele.
-Você tem uma bela casa aqui Ashley, é aconchegante.
-O- Obrigada.
Ela gaguejou e falou com a voz tão baixa que eu acho que ele nem escutou.
-Desculpe mais uma vez, por aparecer sem avisar  (redundante) antes. É que assim que eu soube queminha querida enteada estava morando aqui, eu tive que vir ver como ela estava vivendo, se precisava de alguma coisa, em que eu pudesse ajudar.
Levantei-me em um súbito ato de coragem. Eu não ficaria ali naquela sala sentada esperando por uma desgraça.
-Não, não tem nada para ajudar estamos bem.
 Ele não pareceu surpreso com a minha mudança de atitude, ainda não tinha dito uma palavra. Eu tinha raiva daquela tranquilidade dele e eu tinha certeza de que nada estava fazendo sentido para a Ashley sentada no sofá sem reação alguma.
-Só estou tentando fazer uma gentileza, Princesa. Sabe que eu faço tudo por você.
Ignorei aquelas últimas palavras e me virei para a Ashley. Aquela altura quanto menos coisa ela visse mais chance dela sair daqui com vida.
-Ash, por que você não vai naquela cafeteria e compra aquela torta de limão e hortelã que o Tom gosta? Acho que o Peter vai gostar.
Com os olhos arregalados a Ashley tentou me dizer que não queria me deixar só, ela não pronunciou nenhuma palavra, mas eu a levantei  do sofá devagar.
-Por favor, Ash vá comprar a torta. Nós vamos esperar você aqui.
Eu esperava que meu tom de voz a alertasse do perigo da situação e que ela não voltasse tão rápido.
Eu vi uma rápida troca de olhares entre o Alec e o Peter, mas antes de qualquer coisa ele falou.
-Sim, para falar a verdade falar, falar em torta abriu meu apetite.
Alec relaxou os braços na porta da cozinha, enquanto eu caminhei até a porta para deixar a Ashley.
-Kristen, eu não acho que isso seja uma boa idéia... Ele falou que era seu padrasto... Só depois que eu vi que o cara tinha uma arma. O que está acontecendo?
Ela tentou falar tudo muito rápido aos sussurros.
-Shhh...Ash, eu sei o que estou fazendo. Vá pra casa do Tom, Ok?!
-Mas...o cara armado.
-Só façao que  estou dizendo. Vai ficar tudo bem, Ok?!
Do lado de fora vi o Nick ao lado do carro com uma bengala e um jornal.  O olhar de ódio na minha direção, eu não teria como fugir dali.
Alguém não gostou de ficar manco.
Ash, me olhou de novo com os olhos cheios de apreensão.
-Kriste...
-Ashley, vai... Agora.
Nossos sussurros não passaram despercebidos pelo Peter.
-Princesa?
Olhei minha melhor amiga descer as escadas e se afastar rapidamente, o casaco vermelho que ela usava sumiu da minha vista quando ela virou a esquina. Procurei afastar o pensamento que aquela poderia ser à última vez que eu a via.
Menos uma para me preocupar.
Fechei a porta e caminhei a passos largos até a sala. Não tinha mais como adiar.
Éramos só eu e ele agora.
-Pule o teatro Peter. Por que você está aqui? Veio me matar? Aqui está a sua chance, Ashley já foi e a única testemunha agora vai ser o seu capanga.
Um surto de coragem tinha tomado conta de mim, minha irmã estava indo embora dali, o Rob não estava por perto, ou seja, eles ficariam bem. A única coisa que me preocupava era o celular no meu bolso, caso o Rob resolvesse me ligar eu não teria como atender ou disfarçar.
Olhei o meu pior pesadelo tão vivo na minha frente, ele se sentou com tal elegância e calma que quem não o conhecesse poderia até relaxar na presença dele.
-Oh Princesa, às vezes parece que você não me conhece.
Dei uma risadinha sem humor e cruzei os braços.
-Se não foi pra me matar. Então o que você está fazendo aqui Peter?
Mantive o tom de voz neutro, para não passar nenhuma emoção.
Ele olhou para o relógio e depois olhou pra mim.
-Eu disse, vim ver como a minha enteada favorita está. O que, um padrasto não pode fazer mais isso?
Aquele teatrinho todo me dava raiva, mas eu sabia que ele sentia prazer em ver alguém perder o controle e eu não ia cair no joguinho dele.
-Está vendo, eu estou bem, estou ótima. Agora volta pro inferno de onde você veio.
Ele olhou de novo para o relógio e depois se levantou. Tentei me manter no lugar, mas conforme ele se aproximou em passos estudados, eu não pude deixar de recuar um pouco.
-Não gostei dessa cor, você sabe que eu gostava do seu cabelo loiro.
Ele afastou meu cabelo do ombro e o colocou para trás. Seu rosto estava tão perto agora que eu quase tremi. Lancei um olhar frio e ele sorriu vitorioso.
-Não toca em mim.
Segurei o palavrão, mais uma vez. Ele estava calmo demais, tinha deixado a Ashley sair dali com vida. O que era uma novidade.
-Oh Princesa, por que não vamos dar uma volta? Hein? Pelos velhos tempos.
Dei três passos para trás, rápido. Ele levantou as mãos como se estivesse se rendendo.
-O que te faz pensar que eu vou a algum lugar com você?
A resposta dele não veio, em vez disso o Alec apareceunuma rapidez que não era normal para alguém daquele tamanho.
-Você não quer fazer uma cena, não é? Vamos fazer isso do jeito fácil, eu tenho um presente para lhe mostrar.
Eu achei melhor não brincar com a sorte, ele não tinha feito nada. Tinha deixado a Ashley ir embora. Alguma coisa estava diferente, a minha intuição dizia que era para pior. Tentei não tocar no celular que estava no meu bolso. Eu tinha medo do Rob tentar fazer alguma coisa estúpida, mas ele tinha que ser avisado.
Caminhei até o carro ao lado de Peter e Alec, eu estava sem casaco, mas o dia não estava tão frio como os outros. Entrei no carro primeiro seguida pelo Peter, Alec  se sentou no banco da frente.
Cruzei os braços, sentada desconfortável quase colada na porta do carro, ouvi o clique das travas de todos os lados. Eu teria só o celular como um modo de pedir ajuda. Quando o carro saiu, foi que o Peter começou mais uma vez com a ladainha.
-Eu fico feliz que tenha escolhido Londres para morar, Princesa. Pessoalmente, amo a cidade, a cultura, as pessoas. Oh elas são tão educadas. Vamos admitir que o sotaque seja um pouco engraçado.
Enquanto ele fazia o monólogo eu aproveitei para pegar o celular discretamente, digitei o mais rápido que eu pude.
Peter aqui. Fora da cidade. Ajuda.”
Não sei para qual número eu mandei quando apertei “Enviar”. Peter abriu a janela do carro e pegou o celular da minha mão, depois jogou fora.
-Isso foi rude, eu estou falando e você mexendo no celular.
Ele fechou a janela e olhou pra mim.
-Dois meses com essa gente e você não aprendeu a ter educação, Kristen?
Ele tinha jogado fora a minha última chance de sair daquela merda.
Raramente ele me chamava pelo nome, o sorriso no rosto dele também não me deixava confortável. Nick dirigiu até uma parte afastada da cidade, eu podia ver os prédios de longe, mais árvores, arbustos e parques do que casas tudo coberto com neve.
Olhei para a vista branca lá fora, não nevava, mas tudo ainda estava coberto por uma fina camada de neve.
A paisagem passava e tudo o que eu conseguia pensar era em como seria Paris com o Rob.  Se seria como em um filme antigo, se nós andaríamos de mãos dadas pelas ruas estreitas altas horas da noite, bebendo vinho e admirando a torre Eiffel, tudo aquilo que eu só via naquelas cenas clichês, aqueles romances que eu zombei minha vida toda, aquilo que eu pensei que nunca teria.
Sentada no banco daquele carro, eu rezei silenciosamente por um clichê romântico que nunca aconteceria comigo.
Eu o tive por um mês, sim por um mês eu vivi, eu fui amada, eu amei.
Não pensei como pouco tempo, mas foi tempo suficiente, o tempo exato  para me transformar em alguém melhor. 
Trinta dias de beijos apaixonados, de brigas bobas, de abraços quentes, de descobrir que a vida não precisava ser complicada.
Aqueles pensamentos deviam fazer a minha morte não ser tão ruim.
Eu ainda tinha o gosto dele na minha boca, os lábios, a barba para fazer, o olhar tão gentil.
Aquelas eram as coisas que tomaram a minha mente enquanto me dirigiam para colocar um fim naquela merda toda.
Sorri ao pensar que eu não teria como comprar um relógio novo para Ele.
Talvez eu estivesse ficando meio louca, para rir em um momento como aquele, mas por outro lado pensei que talvez a loucura fosse a saída. Quer dizer, olha para o Peter, nada abala ele.
-Fico feliz que tenha mudado de humor Princesa. Vou lhe apresentar um amigo que eu fiz aqui e espero boas maneiras.
-Por favor, vá se foder.
Ele deu uma risadinha enquanto colocava as luvas.
-Claro, princesa... Nós vamos foder.
Um calafrio que não era de frio correu pela minha espinha, o carro parou.
Só se ele transar com o meu cadáver.
O ódio borbulhando quente no meu sangue. 
-Vamos?
Quando saí do carro, o vento frio e fedorento me acertou em cheio, era um cheiro de peixe insuportável, mas que não pareceu incomodar mais ninguém. Estávamos na beira de um rio, não tinha neve no caminho marcado pelos pneus, o que indicava que aquele lugar não era tão deserto e afastado quanto eu pensava. Também tinha duas estradas, com sorte alguém poderia passar ali.
Procurei placa ou qualquer coisa que indicasse onde nós estávamos, mas não achei.
Tinha uma queda de quase dois andares até o rio que corria do nosso lado, a água estava negra e provavelmente abaixo de zero, mas quem disse que a morte era uma coisa agradável? 
Peter me levou pelo braço, sem força até a frente do carro. Vi uma ponte perto dali, a pergunta era se aquele era um lugar que tinha movimento, por que ele tinha me levado até lá? A resposta  viria logo depois, estava quase anoitecendo. Logo a neve ia cobrir tudo e qualquer tentativa de achar o meu corpo ficaria mais difícil.
Eu estava tão distraída olhando em volta, não tinha me dado conta do gigante de quase dois metros de altura em outro carro quase ao lado do nosso.
Ele estava sentado na traseira do carro, fumando um charuto. Não olhei o tempo suficiente para o homem, quando me dei conta que eu conhecia aquele carro.
Por Deus, não.
Senti o buraco no meu peito, como se não houvesse coração.
Passei o caminho todo pensando na minha morte, quando algo pior poderia acontecer.
-Princesa, esse aqui é Wallace. É um amigo que eu fiz ontem aqui em Londres.
Peter olhava pra mim sorridente, como se estivesse apresentando o papai noel a uma criança de seis anos. Não dei uma palavra, meu olhar ficou grudado no veículo, que não tinha nenhum passageiro, apenas uma das janelas quebradas, a do passageiro.
Eu tenho que estar errada. Eu tenho que estar errada.
Eu não estava. A placa era a mesma que eu já tinha visto muitas vezes antes.
-Mostre Wallace, mostre a Kristen o presente que você nos trouxe.
O troglodita pulou da traseira do carro e abriu o porta-malas, um nó se formou na minha garganta. Se  Peter não estivesse me segurando pelo braço eu sabia que iria cair a qualquer momento.
Wallace tinha tirado o Rob inconsciente de dentro do porta-malas, ele o carregou até a nossa frente, o estúpido monstro era duas vezes o tamanho de qualquer homem. Ele segurava o Rob como se fosse um brinquedo, sem se importar se ia quebrar ou não.
Peter me empurrou pra frente, me colocando cara a cara com o homem que eu amava a camisa do Rob toda suja de sangue e terra, um dos olhos estava roxo, o nariz ensanguentado,  saliva sujando todo o queixo. Eu não consegui respirar ou falar alguma coisa, apenas as lágrimas desciam sem cerimônia por meu rosto. 
-Desculpa chefe, mas ele apagou depois do quinto soco no rosto.
Wallace falou em um tom sério, quase como um profissional desajeitado.
-Está tudo bem, Wallace. Pelo menos você fez o seu trabalho. 
Enquanto os dois falavam, eu notei a respiração irregular do Rob. Ele deu um gemido baixo de dor.
-Vai ficar tudo bem, Rob. - Falei baixinho, tentando controlar o desespero na minha voz. – Eu vou consertar isso.
Limpei as lágrimas, com o braço livre. Me virei para o Peter, empurrado ele até a porta do carro.
-Uh, eu gosto quando você toma o controle.
-O que você quer?
Minha voz saiu mais grave e séria, do que jamais eu tinha falado. Eu tentaria negociar a coisa mais importante que existia na minha vida.
-Oh, Princesa. Eu quero muitas coisas, tipo a paz mundial, um carro novo, estou pensando em um Porsch novo, o que você acha de azul?
Busquei um ar que não veio e o nó na minha garganta só aumentava. Eu sabia que não conseguiria ficar ali em pé por muito tempo.
-Peter, por favor...
-Oh Baby, não chore. Pensei que ficaria feliz com o meu presente. – A voz dele foi ficando mais séria. - Não é esse o infeliz com quem você tem saído pelas minhas costas? É ele que você fode todas as noites? HEIN KRISTEN?FALA COMIGO SUA VADIA? É ELE?
Ele estava gritando bem no meu rosto, quase cuspindo em mim. Os olhos do Peter estavam arregalados, quase fora de órbita. Eu nunca tinha visto ele tão fora de si, o grito de raiva veio seguido de uma risada histérica.
Depois o silêncio.
Não haveria negociação.
A voz que quebrou a tensão, veio para quebrar ainda mais o que restava do meu coração.
Rob mal conseguia falar com a boca cheia de sangue, que ele cuspiu em seguida.
-E vejam só, ele sabe falar.
Peter se abaixou para olhar melhor o rosto do Rob, que não conseguia ficar com a cabeça levantada, pelo modo que o Wallace o segurava.
-Olhe para você, tentando bancar o herói. Mesmo quando está prestes a morrer. Acho que vocês ingleses são mesmo nobres.
Tentei falar com o Peter uma última vez, ele fez cara de tédio enquanto eu deixava o meu desespero falar por si só.
-Por favor, por favor... Eu estou te implorando Peter. Não faça isso.
Segurei o paletó, com a força que tinha em minhas mãos.
-Eu faço o que você quiser, por favor, não faça isso.
Abaixei a cabeça, sem coragem de encarar mais daquela cena. Eu estava pedindo por um milagre, implorando para o meu pior inimigo que poupasse a vida do único[ que importava.
-Kristen. – Peter alisou a minha bochecha. – Princesa, não chore. Eu tenho que ser justo, veja bem... Eu já deixei aquela sua amiga ir embora. É hora de seguir em frente, dizer adeus aos seus amiguinhos daqui.
Filho da Puta, sem coração.
A raiva que eu tinha acumulado por todos aqueles anos veio no que eu fiz em seguida, dei um soco no nariz do Peter. Ele se encolheu de dor, enquanto eu corri em direção ao Rob chutando o Wallace para soltá-lo. Rob ficou com um dos braços livres, foi apenas um segundo quando ele segurou a minha mão com força, antes do Alec aparecer para me segurar.
-Joguem o moleque no rio.
- NÃO. NÃO FAÇAM ISSO.
Bastou um soco, para o Rob cair desacordado. Wallace o carregou por um braço e o levou até o carro, colocando ele no banco do motorista. Nessa hora ouvi um barulho quase parecido com buzina, apenas mais alto e mais forte. Olhei desesperada para os lados, foi quando tudo aconteceu rápido demais.
Nick jogou uma maleta para o Wallace, provavelmente o pagamento pelo trabalho sujo.
-Joguem essa vadia no carro, vamos embora.
O Peter gritou a ordem e entrou no banco da frente, tentei me soltar das garras do Alec, mas não consegui, fui jogada no banco de trás da Mercedes do Peter. Foi pela janela que eu vi o Wallace empurrar o carro do Rob em direção ao Rio.
Não emiti nenhum som, não desceu mais nenhuma lágrima, não senti mais nada.
Então era isso? Era o fim?
Não tinha mais para onde ir dali. 
Continua...

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