25 julho 2011

TENIR MA MAIN - CAPÍTULO 26

Vivas??? AimeuDeus! Não aguentarei até Novembro! Não mesmo! Nossa Fic está na reta final, essa é a última semana, confiram o capítulo de hoje. Ótima leitura!!!
Classificação: Maiores de 17 anos
Autora: Lore Volturi
Gênero: Romance/Drama
Aviso: Sexo/Lemons

Capítulo 26
Robert POV
Existiram outras mulheres, agora só existe ela.
Londres, 15 de dezembro de 2009 – 17h16min


Não houve barulho, nem ruído. Ele só apareceu do nada, quando eu caminhei para abrir a porta do meu carro. Primeiro foi um chute na canela, em seguida três socos no estômago e cinco no rosto. Entre sangue, socos e chutes eu quase não tive   tempo para notar que estava levando uma surra, meu primeiro pensamento foi que era um assalto, mas quando cai no chão e ele continuou me chutando, só poderia significar que aquilo foi armado.
Fiquei inconsciente por um tempo, quando recuperei a consciência me xinguei mentalmente por ter um carro com o porta malas pequeno, não só porque eu tinha sido jogado ali, mas porque piorava todas as dores que eu sentia. Não sei por quanto tempo fiquei encolhido ali sem poder me mexer, só conseguia ouvir o som de um rio do lado de fora.
Eu tinha duas possibilidades: esperar para levar mais uma surra e ser jogado no rio ou gritar como uma garota em perigo, por ajuda. Não fiz nenhum dos dois, minha cabeça não conseguia pensar em outra coisa a não ser que eles tinham pego  Kristen também.
Minha cabeça latejava com uma dor que eu nunca tinha sentido antes, o pouco de ar que tinha no porta malas, veio carregado de fedor de peixe, me senti tonto e enjoado. Meu ouvido tinha um zunido que não parava, aquele cara devia mesmo ter uma mão pesada ou eu era fraco demais.
 Não demorou muito tempo ouvi o som de outro carro freando, segundos depois eu estava sendo carregado por um homem que era o dobro do meu tamanho.
Não consegui abrir completamente meus olhos, a luz deixava tudo embaçado, olhei pra baixo e vi sangue na minha roupa, o cara apertou mais o meu braço. Levantei a cabeça contra minha vontade para evitar mais a dor, era impossível.
Ouvi um choro, que vinha da minha frente e eu sabia que era ela. Forcei meus olhos, tentei abrir, para enxergar seu rosto centímetros do meu.
-Vai ficar tudo bem. – Ela disse, tentando controlar a voz. – Eu vou consertar isso.
Eu merecia estar naquela posição, era um idiota mesmo. Ela não devia estar tentando me defender, seriao contrário.
Isso que dar escolher ler revistinhas em vez de fazer esportes Robert.
Não sirvo nem pra dar um soco naquele desgraçado.
Senti uma dor forte no estômago, onde o tal Wallace tinha me chutado, tentei me mexer novamente, mas ele apertou mais meus braços. Senti a bile, subir e descer na minha garganta. Ouvi ele gritando com ela e chamando-a  de vadia, tentei falar.
-F-fique longe dela, covarde-e.
Cuspi o sangue acumulado na minha boca, minha voz saiu tão rouca que quase não reconheci.
Isso é tudo que eu pude perceber dos poucos minutos que eu estive na presença do Facinelli: Ele é um covarde, filho de uma puta.
Ouvi um som parecido com o de uma buzina ao longe, em um momento de distração do Wallace eu tentei me soltar, não sei se foi efeito da surra, mas para mim foi tudo tão lento. Vou guardar na memória, o momento em que os olhos marejados da Kristen vinham na minha direção, após ter dado um soco no nariz do Peter.
Com o meu braço livre eu pude segurar sua mão com força, a lágrima finalmente escorreu pelo seu rosto. Guardei o eu te amo, preso na minha garganta.
 Senti a sua mão escorrer, foi apenas uma fração de segundo, senti um soco forte na minha nuca, apaguei.
Ela não estava mais lá.
O carro estava todo fechado, não deve ter levado nem quarenta segundos até a água estar na minha cintura, demorei ainda mais para recuperar a consciência completamente. Por reflexo, puxei o máximo de ar que consegui.
Quatro anos de natação no colegial serviram para alguma coisa, o que eu não podia contar era o quão gelada a água estava.
Minhas tentativas de quebrar o vidro do carro estavam fracassando e eu não conseguiria segurar o ar por mais tempo.
Eu sabia que as chances de sair dali eram mínimas, mas eu precisava tentar.
Ela precisa de você.
Hoje não seria o dia em que eu desejaria ser mais forte, ser mais rápido, ter habilidade em alguma coisa importante, eu não passaria aqueles últimos minutos pensando em coisas que eu deveria ser. Eu seria aquelas coisas, por ela, por que ela precisa.
Dei um impulso do banco do carro e chutei o vidro da frente com a força que eu não sabia que tinha, mais uma cotovelada e finalmente consegui quebrar ao mesmo tempo soltei bolhas de ar.
Se ao menos eu tivesse como respirar, agora.
Tinha passado tempo demais, eu não conseguia mexer um dos braços e a superfície estava longe demais.
Vamos Rob, mais um pouco.
Agora todo o meu corpo sentia não só a dor da surra, mas a temperatura da água que fazia absolutamente tudo doer, tentei ignorar os cortes gelados que a água fazia na minha pele e continuei as braçadas até conseguir ar.
Ouvi o som forte que vinha de cima, de novo algo parecido com uma buzina.
 Um barco? Um navio? Se eu tiver alguma sorte.
No momento que o ar gelado da superfície, encheu meus pulmões, perdi todos os outros sentidos, ouvi uns gritos que ficaram fracos, quando tudo que eu vi na minha frente era preto. 
X
Dizem que antes de morrer, você vê a sua vida toda passar rapidamente diante dos seus olhos.
Eu soube que eu não iria morrer naquele dia, quando a minha mente começava a rebobinar todos os dias que eu passei com ela, era como cenas de um filme romântico, ou um documentário mostrando como eu comecei a existir depois que ela apareceu e mudou tudo, com um sorriso atrevido, um olhar misterioso.
Era tudo tão nítido, tão real.
Seu rosto sorrindo tão perto. 
Eu queria tanto tocar.
Repeti seu nome inúmeras vezes, sem receber uma resposta.
Ela continuava sorrindo.
Kristen.
Ela fechou os olhos e continuou sorrindo, quando falei seu nome.
Então tudo começou a ficar distante, ela estava indo embora.
Kristen...Não.
X
-Acorda, garoto. Acorda.
Uma voz desconhecida, alguém batendo no meu rosto.
-A ambulância está a caminho, tentem mantê-lo acordado.
Dei-me conta de duas coisas ao mesmo tempo, o cheiro insuportável de peixe agora era mais forte e o frio que estava me fazendo bater o queixo. Estava em uma cama pequena, com cinco cobertores e mesmo assim, estava frio.
-Qual o seu nome garoto?
Eu não conseguia falar, minha garganta estava completamente fechada, outro detalhe que eu notei foi que eu só conseguia enxergar com um dos olhos. Olhei um quadro na parede, algo parecido com uma árvore genealógica e o nome “Goodman” escrito em uma caligrafia refinada.
-Aguenta firme garoto, já estamos chegando ao porto.
A voz do homem sentado perto de mim, enquanto olhava o tempo lá fora.
-Foi sorte tirarmos ele de lá antes do tempo virar, ele ia morrer congelado, sem dúvida.
O senhor parecia aborrecido batendo a bengala no chão.
-Eu disse que vi um carro sendo jogado no rio e vocês achando que eu estou caducando. Estou velho, não cego.
-Sim, vovô o senhor estava certo.
O primeiro homem respondeu com voz de tédio, outro falou ao longe.
-Ambulância já está esperando no porto, nós os deixamos entrar aqui ou levamos o cara até eles, vô?
Era um menino de no máximo quinze anos.
-Ajudem o rapaz, tem sujeira de escamas no caminho. Eles não vão conseguir trazer nada para cá.
Ouvi o barulho de buzina que agora eu reconheci o som, que antes eu achava ser de buzina de carro era o apito do barco.
Dois homens vieram tentar me levantar no colchonete, um deles pegou no meu pulso, deixei escapar um grito de dor.
Não segurei os palavrões, soltando um atrás do outro enquanto eles tentaram me carregar até a ambulância, por um momento eu não conseguia ver mais nada, voltei a bater o queixo com frio e sem os cinco cobertores, a enfermeira imobilizou meu braço, mas ainda doía como o inferno.
Dentro da ambulância eu puxei o braço de alguém e gritei.
-Alguém liga pra porra do Thomas Sturrigde!
A dor era excruciante, normalmente eu não gritaria com uma enfermeira daquele jeito.
-Tenha calma senhor, por favor.
-Ele é médico, me leva até ele.
Eu não sei o que me levou a falar aquelas coisas, acho que na hora eu só queria um rosto familiar por perto.
 Ela deve ter injetado alguma coisa em mim, eu não consegui mais gritar.
X
Por fim, não sei quanto tempo depois acordei na cama do hospital.
-Tom, ele está acordando.
Reconheci a voz da Ashley do meu lado direito, abri os olhos aos poucos o quarto estava muito iluminado e doía meus olhos, aos poucos fui me dando conta do que tinha acontecido com o meu corpo, meu joelho direito doía um pouco e eu procurei não mexer, meu pulso esquerdo estava engessado e uma dor de cabeça que piorava conforme eu tentava enxergar as outras pessoas que estavam no quarto, tinha uma poltrona do lado esquerdo e alguém estava dormindo não reconheci quem, então um gemido de dor escapou e a Ashley falou de novo.
-Rob? Como está se sentindo?
-Vou chamar a enfermeira.
Era a voz do Tom, que pelo jeito não estava nada feliz.
-Ashley, a luz... Por favor.
-Ah, sim.
Ela ligou um abajur ao lado da minha cama e desligou a luz do quarto.
-Obrigado.
-Como está se sentindo Rob?
-Ótimo, não foi nada.
Tentei falar em tom de brincadeira, mas ao tentar ficar sentado gemi de dor, novamente. Logo ela estava do meu lado.
-Oh merda.
-Tente não fazer muito esforço, Ok?! A enfermeira não deve demorar.
Ashley tinha um olhar preocupado, enquanto ajeitava as almofadas para eu ficar mais confortável. Ela evitou me olhar nos olhos, por alguns segundos e eu continuei a encara - lá.
-Ash...
Ela continuou calada, em seguida se sentou na cadeira ao lado da minha cama.
-Onde está ela? Ela está bem?
Ashley baixou a cabeça com um ar triste, aquilo era tão ruim pra mim quanto pra ela.
-Ele a levou para LA, mas ela está bem.
Aquilo foi como levar outro chute no estômago, Peter tinha a levado embora, e eu não fiz absolutamente nada para tentar impedir ou deter.
Eu falhei, não cumpri a minha principal promessa. Não consegui protege-la.
Senti a água escorrer pela minha bochecha e não eram lágrimas por causa da dor física, nesse momento se pudesse, eu mesmo me daria um soco.
-Eu tenho que consertar isso, Ash.
-E eu vou te ajudar , mas primeiro nós temos que consertar você, Rob.
Ashley também estava chorando, ela segurou a minha mão boa e apertou carinhosamente.
-Só fique bom logo Rob, ela realmente precisa de nós dois.
Ouvi um ronco vindo da poltrona do outro lado do quarto.
-Quem...
-Aquele é o seu salvador, o nome dele é Ian. Ele insistiu em ficar até você acordar, o Tom não concordou de primeira, mas o Sr. Goodman consegue ser bem persuasivo.
Ela sorriu lembrando-se de alguma coisa que eu não sabia.
O barco, Goodman.
Agora tudo fazia sentido.
-Ele e os netos estavam pescando, quando ele viu o seu carro ser jogado dentro da água. Eles demoraram um pouco até fazer o barco dar a volta, os netos estavam furiosos achando que o Sr. Ian estava imaginando coisas, mas logo eles te acharam.
Ash limpou as lágrimas, enquanto falava.
-Uau, ele se chama Goodman por um bom motivo.
Tom voltou ao quarto com a mesma expressão de raiva que saiu.
-A enfermeira já está a caminho.
Ele ficou em pé, perto da porta com os braços cruzados e ainda olhando torto para o Ian que roncava deitado na poltrona vazia.
-Qual o problema do Tom?
-É complicado.
Ashley não falou mais nada, seguiu-se um silêncio constrangedor.
Muitas coisas passaram pela minha cabeça, os últimos acontecimentos tinham me dado uma nova perspectiva das coisas, não eram mais teorias e histórias que a Kristen tinha me contado. Eu sabia do real perigo que ela corria nas mãos daquele homem sádico. Só de pensar que ela estava perto dele, sentia vontade de sair daquela cama, correr e pegar o primeiro avião para América.
-Ashley, eu preciso que me faça um favor.
-Quer mais travesseiros? Eu vou pegar.
-Não Ash... - Tom começou a prestar atenção na nossa conversa. -Eu preciso que você pegue o meu cartão de crédito e compre uma passagem de ida para Los Angeles.
Ashley me olhou sem saber o que falar primeiro, mas quem veio falar em nome dela foi o namorado.
-Ela não vai fazer isso.
A voz do Tom soou alta e cheia de autoridade, ele estava puto.
-O que tem de errado com você Tom?
Não conseguia entender a reação dele, por que ele estava com raiva, se eu era o que estava na cama todo ferrado e não ele.
-O que tem de errado comigo Robert? Você devia fazer essa pergunta a si mesmo. Não se deu conta do que aconteceu? Eles te bateram tanto assim na cabeça? Você ficou retardado? Te jogaram no rio, como se fosse uma porra de um lixo, tudo por causa dela, aquela louca cleptomaníaca. E agora você quer ir atrás dela?
-Tom, por favor. Não faz isso agora...
Ashley tentou falar com calma, ele a interrompeu.
-Ashley, não... Fica fora disso.
O olhar do Tom veio da Ashley pra mim.
-Eu não vou perder o meu irmão por causa de uma louca qualquer.
-CALA A BOCA THOMAS.
Pela primeira vez em anos de amizade, eu tinha gritado com o meu melhor amigo. Ele cruzou os braços, ainda com um olhar de raiva. Eu continuei.
-Eu não vou deixar você falar dela assim, eu amo...
Ele não me deixou terminar de falar.
-Você não está no seu juízo normal Robert, quantas você já não amou antes? Vinte? Vinte e duas? Algo por ai.
-Ela é diferente.
Eu não queria brigar com o Tom, não daquele jeito, naquela hora.
-Eu aposto que sim.
Uns minutos de silêncio e tensão foram quebrados pela tosse do Ian, que estava acordado ouvindo a minha pequena discussão com o Tom.
-Acho que esse é um momento ruim para avisar que eu estou acordado há algum tempo.
Sorri, quando o velhinho de setenta e poucos anos colocava a sua bengala no chão e caminhou lentamente até a minha cama.
-Então meu jovem, como está?
-Estou bem, Senhor...Eu... –Tartamudeei sem querer. – Não, Eu... Nunca vou ter como agradecer pelo que o senhor fez por mim.
Ian deu um sorriso torto, de tal jeito que lembrou o meu pai.
-Eu é que fico feliz, de ter ajudado um jovem corajoso como você.
Sorri, sabendo que não merecia aquele elogio.
A enfermeira entrou no quarto, pedindo licença e colocando alguma coisa no meu soro.
-Isso vai fazer você ficar fora de problemas nas próximas seis horas.
Os remédios tiveram efeito quase instantâneo, devo ter falado alguma coisa sem sentido antes de apagar.
Nada ia me manter naquele hospital por muito tempo, eu iria até Los Angeles com ou sem aprovação de quem quer que fosse.
Eu não me permitiria falhar novamente.
Continua...

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